Na ilha de Fidel com Luis Viseu, Agosto de 2017


Não é fácil escrever sobre Cuba como destino de eleição, louvar os seus interesses turísticos e ignorar a História que a rodeia.

Um dos pilares da Magellan é a vontade de mostrar cada paragem com a autenticidade que ela tem. A forma como sentimos esse destino, sem medo de mostrar opinião ou assumir posições. Não queremos destacar o que todos já sabem ou viram em panfletos. Tentamos perceber quem nos recebe, formar opiniões, discutir as visões e integrar cada destino na realidade que o rodeia. É essa a forma de percebermos o mundo que nos propomos visitar.

 

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Cuba é uma ilha de paixões que não gera consenso em quem a descobre. Para uns é uma ditadura implacável, para outros um exemplo de como o modelo socialista pode funcionar. Há ainda o grupo que a visita sabendo apenas que tem umas praias boas. Sem qualquer pretensão de criticar, nós não nos encaixamos em qualquer um destes perfis. Tentamos aprender um pouco mais em cada passagem. Tentamos essencialmente ganhar argumentos enquanto vemos a História a acontecer.

Há tanto, mas tanto para discutir e aprender sobre Cuba que se torna redutor tentar uma abordagem aqui. Queremos acreditar que estaremos todos juntos em Havana Central, longe da parte embelezada para os turistas (Havana Vieja), sentados num bar entre locais ouvindo a opinião de quem lá vive.

A história de Cuba é, até certo momento, a da revolução perfeita que encanta os historiadores e que enche as narrativas e os sonhos. Um paraíso nas Caraíbas que até à década de 50 tinha um governo fantoche, às ordens do vizinho americano e que tudo permitia. Jogo ilegal, lavagem de dinheiro, exploração de mão-de-obra local, paraísos fiscais para criminosos procurados nos EUA. Um governo corrupto e ao serviço de interesses estrangeiros pela mão de Fulgêncio Baptista.

Fidel e mais uns quantos cubanos desiludidos conspiraram durante anos para derrubar a ditadura. Primeiro em Havana, depois no exílio no México, mais tarde na Sierra Maestra, no final de uma viagem clandestina mal sucedida no famoso barco Gramna (que hoje dá nome ao jornal do partido). Entre eles estava um médico argentino que seguia os ensinamentos de Simón Bolívar e queria libertar a América Latina. Chamava-se Ernesto Guevara.

O que se seguiu está detalhado nos livros. Os barbudos tomaram cada uma das cidades entre Santiago e Havana provocando a queda de Baptista. O primeiro chefe de Estado com quem Fidel tentou conversar foi John F. Kennedy. Falhada a recepção na Casa Branca, Fidel virou-se para o outro pólo que dividia o controlo do mundo (URSS). Estávamos em plena Guerra Fria e a união com os soviéticos, que valeu a sobrevivência de Cuba, deu origem ao longuíssimo embargo comercial que viria a ser levantado pelo presidente Obama, mais de 50 anos depois.

É a partir deste momento e das opções de Fidel que as opiniões se dividem mais. As regras impostas ao povo cubano, as mortes das vozes que se levantaram, entre eles antigos companheiros de luta cujos desaparecimentos nunca foram bem explicados. Cienfuegos e Che Guevara são os exemplos mais sonantes.

Há um mundo de contradição em tudo o que se tenta aprender sobre Cuba. Há sobretudo um enorme espaço para o debate e para a troca de opiniões sobre uma história apaixonante.

Nesta passagem pela maior ilha das Caraíbas tentaremos ver alguns dos pontos reconhecidos pela Unesco como património da humanidade. O vale de Viñales perto de Pinar el Rio, a fabulosa Trinidad com as suas memórias coloniais junto ao Caribe. Havana, a jóia da coroa, onde podemos ver as duas faces de Cuba: a que vem nos panfletos das agências e a real, a dos bairros centrais onde o contacto com quem lá vive é total. Passaremos ainda em Santa Clara, a cidade libertada por Che Guevara, Camaguey e Sancti Spiritus. Não saíremos deste paraíso natural sem irmos a banhos nas águas mornas de Cayo Levisa.

Cuba está a mudar. A normalização das relações com os EUA são uma boa notícia para todos contudo, para o turismo será uma questão de tempo até a massificação invadir a ilha. Os carros antigos e as invenções com peças usadas, que ao longo de décadas foram substituindo bens de consumo inacessíveis, terão os dias contados. Claro que tudo o que traga maior qualidade de vida ao extraordinário povo cubano é bem-vindo. Chega tarde, muito tarde.

Mas a ilha que é de Fidel, com todos os defeitos que isso possa ter, deixará de o ser. A nossa proposta é que a visitem enquanto há tempo de perceber o que por lá se passou, no ano que em a revolução comemora os seus 57 anos.

Façamos o seguinte… o ponto de encontro é o La Bodeguita, em Havana, onde Hemingway degustava os seus mojitos. Apareçam por lá no dia oito de Agosto.

Fidel Castro disse um dia, num famoso julgamento em Havana, antes do exílio: "a história absolver-me-á". É tempo de descobrirmos se teve razão ou não.

 



Percurso :

Desta vez optamos por não definir um percurso rígido. Queremos ter a flexibilidade de alterar algumas coisas no terreno.

O ponto de partida é este : Havana. Daí seguiremos para a parte oeste da ilha (Viñales e Cayo Levisa). Na zona central de Cuba vamos conhecer Trinidad e Santa Clara e, alguns dias depois, tentaremos uma incursão mais a Este da ilha para visitar Camaguey.

Dependendo do tamanho do grupo ponderamos alugar carro. Conduzir em Cuba é uma actividade com alguns riscos que teremos que avaliar. A rede local de autocarros (Via Azul) será sempre a nossa garantia de transporte.

O custo estimado para este programa (estadia, transportes internos, acompanhamento Magellan no terreno e organização) será de 1050 Eur por viajante. O preço do avião não está incluído.


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